A Unacorp comprou 15 casas nas proximidades da Avenida Faria Lima, em São Paulo, para formar três terrenos de mil metros quadrados cada. No primeiro, lançará o Lurie Itaim, torre de oito andares com 12 apartamentos de 226 m² e duas coberturas duplex de 427 m². Todas as unidades são avaliados em mais de R$ 7 milhões. A empresa investiu cerca de R$ 75 milhões nas três áreas e pretende criar um boulevard arborizado, com calçadas ampliadas e cinco metros de vegetação de cada lado da rua. No projeto, a limitação de altura e terreno virou argumento de privacidade e baixa densidade.
Terrenos menores ganham produto sob medida
A Bioma seguiu uma lógica semelhante no Casa Vertical Jardins. A incorporadora reuniu um restaurante e um pet shop em um lote de 532,43 m² para erguer 23 unidades. O projeto tem plantas de 59 m² a 296 m² e preços entre R$ 2,7 milhões e R$ 4,8 milhões. Já a Trisul usou dois lotes, com área de 1,6 mil m², para o Atílio 870: são 28 apartamentos de 361 m² e um duplex. Com preço de lançamento ao redor de R$ 36 mil por metro quadrado, cada unidade-tipo chega a cerca de R$ 13 milhões.
Clube privado amplia o alcance do terreno
No Jardim Guedala, a Meta Incorporadora levou duas décadas para formar um banco de terrenos e negociou dez imóveis para compor 3,5 mil m². O The Club terá 77 apartamentos de 200 m² a 500 m² ligados a um clube urbano com quadras, academia, spa, centro de fisioterapia, áreas infantis, espaços de trabalho, concierge e restaurantes. O clube receberá investimento de aproximadamente R$ 50 milhões e atenderá cerca de 300 famílias, incluindo moradores de futuros projetos da empresa. Para uma unidade de 200 m², condomínio e clube devem somar de R$ 5,4 mil a R$ 6,2 mil por mês.
Estratégia avança em um mercado mais seletivo
A aposta em exclusividade ocorre após a perda de ritmo do alto padrão. Segundo a Brain Inteligência Estratégica, o segmento registrou no primeiro semestre queda de 39% nas unidades vendidas e de 53% nos lançamentos. O tempo médio de venda em São Paulo chegou a 18 meses, ante cerca de sete meses no Minha Casa, Minha Vida. Para o Secovi-SP, trata-se de uma correção depois do pico de 2025, e não de uma crise. Nesse ambiente, localização, arquitetura, privacidade e serviços precisam justificar o custo do terreno e as despesas recorrentes do produto.
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